Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

TAMANHA RIQUEZA

 

Apocalipse.jpg

TAMANHA RIQUEZA

 

Se eu fosse podre de rico, seria dono do mundo;
Seria, como tantos outros, reles e tanto absurdo!...
Assim, nada mais sou que um pobre zé-ninguém,
Em risco de estar longe da posse de algum vintém;
Mas tenho tudo o que mais quero, porque sou eu
Na indiscutível e incontornável superior riqueza...
Pobre, na riqueza do nada em que cada um nasceu,
Dignidade da passagem pela vida e da franqueza.
Serei de mais abastado, enquanto te reconhecer,
Percebendo o quanto enriqueces este meu espaço
Que é tanto mais teu por direito e por teu abraço
Neste reconhecimento que é de meu agradecer...
Tantos ciúmes, ganâncias, credos, guerras e ódios,
Tantos interesses escondidos em tantos demónios,
Camuflados em demasiada falsidade e vicissitude
E que, no meio de tal hipocrisia, se chama virtude...
Factura em relaxo, por tanto que se anda a fazer!
... Sofro o teu pagar, de quem mais a ficar a sofrer!
Num futuro, que será mais próximo à imaginação,
Acordaremos, neste sonambulismo, na devastação,
Tarde demais para qualquer tipo e tardia reflexão
E que o mundo será o apocalipse à nossa dimensão...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

ALGUMA MÁSCARA

 

Alguma máscara.jpg

ALGUMA MÁSCARA

 

Nesta máscara de silêncio,
Desfigurada obra de cera,
Sinto a renúncia das letras,
Numa fuga das palavras,
Neste teatro das coisas
E no palco, que é meu peito...
É o encenar na escuridão
Em perpétua luz do dia,
Em luzes de solidão,
Aperto no coração
E no estômago uma agonia,
Neste bastidor de melancolias,
Argumento em minha mão
E escrito, de qualquer jeito,
Nalgumas palavras soltas,
No silêncio do que me dizias,
Muitas vezes sem perceber,
Ou sem nada para dizer…
Era esta a minha oração,
Desta entrega e devoção,
Tal meu olhar aos céus
Que, de ti, não eram meus,
Por estes caminhos, sinuosos,
Deveras um tanto manhosos…
Mas e estranho, tão nossos!
Agora, peço algum descansar,
Pois que me doem os ossos,
As carnes e tudo mais…
Cansado demais para andar,
Mas podes continuar a falar!
... E tu, para onde vais?
Eu ficarei, por este pesar,
Para tudo o que der e vier,
Às portas do Lúcifer
E à espera que mande entrar…
Do Céu, desse nem vou ousar,
Tanto é o tempo de espera
Na extensa lista da clemência
E reclamando inocência...
Eu, como sou culpado,
Sinto-me um burro chapado
Neste grito a que me prenuncio!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

NO SILÊNCIO DA NOITE

 

Coruja.jpg

NO SILÊNCIO DA NOITE

 

Ouvi o teu chamar, de mansinho,
Como se não me quisesses acordar...
Pressenti o teu chegar, no silêncio da noite,
A qualquer espaço do meu quintal
E pouco, ou nada, me importou
Nesse chamamento matinal,
Não fossem os aplausos dos cães a uivar.
Porque me chamaste e te foste embora
Sem uma despedida de carinho?...
Será que ainda não chegara a minha hora?
Tentei-te ver, por entre os estores,
Para que não te assustasses,
Mas já tinhas partido e tudo se calou...
Contigo, coruja, levaste a morte.
Desta, olhando a escuridão, escapei...
Da próxima, tanto já não sei!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Domingo, 17 de Setembro de 2017

HAJA POETAS

 

Haja poetas.jpg

HAJA POETAS

 

Enquanto existirem poetas,
O mundo estará em avanço,
Sem barreiras entre metas,
Quaisquer fronteiras de aço,
Doce esperança e tão certa,
Nas palavras de um pateta,
Como rosas de meu regaço,
Oníricos esboços que traço...
Não serei eu, um tal poeta
E muito menos qual atleta
Desse pódio de maratona;
... Talvez desafinada nota,
Mal tocada em corda solta,
No corpo de uma sanfona.
Enquanto houver o sonho
E a sua voz for entendida,
Será num poeta tamanho
E se a força reconhecida!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Sábado, 16 de Setembro de 2017

VENTOS

 

Ventos.jpg

VENTOS

 

Ventos, de perdido norte,
Tórridos arrepios na pele,
Gélidos tremores de calor
E maneiras que me são peso.
São chicotadas que marcam
Este corpo, no teu embate,
Traçadas marcas de amor,
Em silvos secos que matam,
Mas nada que tal me farte,
Nesse ondular, esculpida arte,
Desse teu sopro tão perverso.
São ventos, sacudidos ventos,
Que me sopram teus segredos
E que não posso recontar...
Alguns que me fazem corar!
... Mas continua, continua
Nessa correria linda e nua,
Nesse enrolar muito teu,
Pois que gosto tanto dele
Neste corpo, sem ser meu...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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ORQUESTRA DA VIDA

 

Orquestra da vida.jpg

ORQUESTRA DA VIDA

 

A vida, é uma incompleta melodia,
Composta de dois e únicos tempos,
Orquestrada na mais bela sinfonia
E na absorção dos variados ventos.

 

Toque de obsoletos instrumentos,
Em teatro de meros espectadores,
Expectação a melhores momentos,
Em qualquer passeio de bastidores.

 

A vida, é a composição do nascer,
No irónico compasso de transição
E a ilusão dos aplausos ao falecer.

 

Toda a vida é composta de ironia,
Desafinada batuta em nossa mão,
Rasgada pauta, letras em agonia.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

FILHOS DA PUTA

 

Filhos da puta.jpg

FILHOS DA PUTA

 

Neste porco universo, tão filho da puta,
Há putas que, comparadas, tanto não são,
Se benzidas à tua maquiavélica disfunção...
Estendendo a mão, um tanto controverso,
Aos demais e quanto mais as exploram...
Tanto como tu, que embarcas nessa onda!
São usurpadores, proxenetas disfarçados
... E a quem os porcos vão comer à mão,
Inqualificável travão ao teu bem-estar;
No decorrer da tua vida e dos teus filhos,
Serão sôfregos da tua carne e seus ossos,
Bebendo do sangue que te vai ao coração...
Serão eles, filhos da puta, quem mais engorda
Ao prazer de te chupar e contestar a tua luta.
... Porém, sagra, em cada espaço, o teu lugar,
Dando o que de melhor puderes, num pensar,
Para que nenhuma "puta" te possa apontar
Algum dedo ao traseiro... e por teu defeito!
Serve quem te serve e os que te alimentam,
Dádiva do que de melhor tens, mais perfeito,
A este mundo hipócrita, do melhor o reverso,
Neste destino e de alguma forma hipotético,
Poética ilusão, decerto argumento patético,
... Não nos deixando ser de mais enganados!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

VOTAR OU NÃO

 

A ditadura perfeita....jpg

Miguel Torga.jpg

VOTAR OU NÃO

 

Cada dia que vagueia, mais acredito nestes SENHORES, referindo-me a Miguel Torga e Aldous Huxley, no desinteresse dos cidadãos e sua passividade, mas e ao mesmo tempo, de que a democracia é uma ditadura disfarçada, principalmente com os políticos dos tempos que decorrem. Sei que a minha liberdade termina onde começa a dos outros e vice-versa, só não entendo que tipo de democracia vivemos, quando alguém, partido, ou governo, tem a atitude de imposição, não mais sendo que uma ditadura, só que com o nome mais adocicado... No meu pleno direito de ser livre, nada, nem ninguém, tem o direito de me impor que vá votar, seja em Deus, ou no Diabo, ou se vá para onde quer que seja; se querem que eu frequente a igreja, têm, primeiro, de me convencer da existência de um deus, que proteja os meus direitos e não que puxe a brasa à sua sardinha. Se têm medo da falta de interesse no voto, tendência a generalizar-se, façam para que não exista razão para tal, todo o restante fazendo parte de um dever cívico e moral... mas livre e em liberdade! Talvez por essa razão, mas não só, a criação do voto electrónico terá o seu impacto como voto à distância, sem a presença às urnas, mas que, de uma forma, ou de outra, ainda ninguém explicou até que ponto a minha votação não entrará numa base de dados, embora com argumentos já apresentados, mas não provados, ficando registado a minha tendência e respectiva punição futura, pelas mais variadas razões. Repito que a minha liberdade tem um direito... A DE SER LIVRE!

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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

ESTA RAIVA

 

Esta raiva.jpg

ESTA RAIVA

 

Neste preciso momento, sinto uma raiva profunda,
Vontade de explodir, endireitar a minha corcunda,
Levantar a minha cabeça, bem acima do horizonte,
Atacar de frente e de cornos baixos, como bisonte.

 

Sinto ódio, o desprezo, vontade de cuspir em tudo
E em todos quantos se intrometem à minha volta,
Na vontade de arrumar a casa, bater com a porta,
Sair para a rua, correria louca, cego, surdo e mudo.

 

Vontade de vomitar tudo o que tenho no interior,
Matéria e quantos os pensamentos que resguardo
E sem saber se tal não é prazer, neste meu rancor.

 

Olho este exterior, neste malogrado desconforto,
Como saído de uma sala de cesariana, mal sanado,
Mandado janela fora, como mal enjeitado aborto.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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Terça-feira, 12 de Setembro de 2017

GOSTARIA DE VOLTAR

 

Gostaria de voltar.jpg

GOSTARIA DE VOLTAR

 

Ah, como eu gostaria de voltar...
Percorrer os mesmos caminhos!
Seleccionar algumas das asneiras
E na loucura de outras maneiras...
Viveria a mesma vida ao contrário,
Como louco e de frente para trás,
Acelerada locomotiva a todo o gás,
Sem freio, ou predefinidos destinos,
Indefinida aventura e bom tempero...
Voltaria ao qual lugar desconhecido
Que conheço, mas sem o ter visitado...
Mas bastava-me um tanto exagero
De lá voltar, nesta hora de sonhar!
Ah, como eu gostaria de reencontrar
Tal passado, num esbugalhado olhar,
Sentindo-me, de novo, outro alguém
Neste meu e modesto mundo inferior,
Na quietude de qualquer zé-ninguém...
E tal é minha necessidade em agonia!
... Quem sabe, se talvez voltarei um dia
Aos mesmos erros, a tal e mesma dor!?
... Mas voltarei, -sim!-, nalguma remissão
De todas as palavras de algum diário
E no que de mais alto for meu coração...
Nalgum usufruir dos prazeres da vida
E tal sabendo que a vida é um prazer!
Voltarei, neste meu retorno e decidida
Expressão de reconhecimento do saber...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem: francisfotoPROfimagens ©® )

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