Sexta-feira, 2 de Outubro de 2020

TEMPO QUE GALOPA

 

Tempo que galopa I.jpg

TEMPO QUE GALOPA

 

Eu sei e não tenho dúvidas,
Tendo a mais séria certeza,
Que o tempo corre depressa,
Galopa, solto, nalgum vento,
O quer que seja e aconteça,
Tenhamos, ou não, destreza,
Certa alma pura e confessa,
Nas ondas de qual advento,
Ou sono de quem adormeça
E pelas palavras mais lúdicas...
Não tenho qualquer dúvida,
O tempo escapa-nos da mão,
Seja com, ou nenhuma razão,
Pois ninguém controla a vida,
Nessa mais célere despedida
E à morte de mão estendida!...
Tanto sei, que o tempo galopa,
Mais firme que marcha de tropa,
Em treino a derradeiro combate
E sendo esse quem nos abate,
Num mais perfeito confronto
E estórias de qualquer conto!...
Eu sei... ah, como sei e confirmo,
– Acreditem no que tal afirmo! –,
Quer omitamos o tempo a chamar,
Oiçamos o vento da vida a soprar,
Ninguém saberá forma a escapar,
Aquando essa carruagem passar!...
E entraremos, escalando o degrau,
Sem autoridade de olhar para trás,
Em jeito de um último adeus...
As cavalgadas serão desígnios teus!...
Então subiremos à arena de tal sarau,
Na anfitriã charanga que nos darás...
O resto fará parte duma passagem,
Cuja não aceitámos como miragem!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

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SAUDAÇÕES, MEUS SENHORES!...

 

Saudações, meus senhores!....jpeg

SAUDAÇÕES, MEUS SENHORES!...

 

Saudações, meus senhores,
Deste recanto de doutores;
Cheguei, agora, de viagem,
A este país de miragem!...
Por aqui, é só amores,
Cheio de bancos e credores,
Cada qual no seu roubar,
Sem saberem quando parar!...
Em cada rua há um ladrão,
Em cada esquina um aldrabão,
Outros tantos aos encontrões,
Tesos e agarrados aos colhões!...
Batendo com eles numa laje,
A dormir, que ninguém age,
Mesmo com o destino traçado,
De todo e qualquer desgraçado!...
Saudações e boa sorte,
Vejo que esperam a morte,
Ditada por charlatões
E qual seita de cabrões!...
Vejo que andam calmos e serenos,
Não acreditam em venenos,
Preferem ser enrabados
E contentes por enganados!...
Pois que a vida são dois dias,
Mesmo que cheios de agonias,
Importando viver em paz,
Até que mais não capaz!...
Neste cantinho e redil,
De tamanhas leis de funil,
É ver quem mais se safa,
Sem haver cura pra gafa!...
Indo todos, feitos carneiros,
Sempre pelos mesmos carreiros,
Tão encaminhados pra matança
E nada servindo de lembrança!...
São cordeiros, mansinhos, já sei,
Nem sou eu que vos enganei,
Mas quem vendeu uns pares de cornos
E que a tantos servem de adornos!...
Vejo que estão todos servidos,
Os restantes estão quase vendidos,
Portanto vou seguir caminho,
Vendo-o no vosso focinho!...
Não quero aldrabar ninguém,
Desde que não me engane alguém,
Estando bem de consciência
E num pouco de sapiência!...
Fiquem bem, que eu também,
Vou andando pra mais além,
Aconselhando, sem saber quem
E vendendo avisos no melhor bem!...
Mas acordem, tresmalhados,
Deixem-se de andar pasmados,
Sustentando varas de porcos,
Deixem, por fim, de ser loucos!...
Saudações, meus amigos,
Vou vender os meus artigos,
Lá para os lados de São Bento,
Numa esperança que mude o vento!...
Até à próxima, pra quem quiser,
Não havendo mais a dizer,
Livre, como o vento, vou partir
E, quando chegar, mando-os à puta que os viu parir!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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