
ALMA DE MAR...
Mar, esse que alguém disse haver ir e voltar!...
Porém, talvez que de longe ignorando,
Aquilo que a aventura tinha traçado,
Além do mar e em que tal povo iria navegar
E sem que ainda houvesse tal mérito alcançado...
Seriam tantas as ondas, como barcos a conquistar,
Quantos por esse mar tristemente naufragando!...
Outrora houve remos, coragem, em quanto vigor,
Velas que se afastavam da costa em rigor,
Barcos, cascos desenhados à procura de horizontes
E, além dos horizontes, houve terras aos montes...
Tudo morreu, assim que essas naus encalharam,
Enquanto os marinheiros se iam afogando,
Salvo os ratos de porão e cujos à arriba se deram!...
O que restava da proeza foi-se afastando da costa,
Enquanto os sonhos se foram diluindo na espuma,
Sem que novas ondas se fossem manifestando,
Arrastando o sal que se perdeu dos temperos,
Deste país de marinheiros, navegando na bruma,
Num desajeitado remar, tão prestes a naufragar,
Perdidos neste tempo e nos seus desesperos
E que tudo entregam ao comodismo do encosta!...
Os mares perderam-se, tal como a rota de navegação,
Afundou-se a língua, assim como toda uma história
E, por arraste, foi-se tudo o que restava de glória...
Todos dormem no conformismo e pensam ter razão!...
Resta-nos um povo subserviente, à beira-mar estagnado,
Adormecido, profeta da ilusão e sem rota de alto-mar,
Navegando neste pântano, entre águas putrefactas,
Ancorado no mais diverso porto e de há muito resignado,
Afundando-se, pois que o casco já pouco tem para dar,
Tão-pouco os ventos correm, nem ondas que sejam fartas!...
É, então, isto o que restou da nossa gloriosa alma de mar,
Em toda a mudança de ventos e sem velas a acompanhar!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

NAVE DA UTOPIA...
Já tenho todas e mais precisas peças,
Para a ideal construção de uma nave,
Fazer certa viagem daqui para fora,
Levando neste peito os que mereçam
E se te levo, ou não, tal não me peças,
Pois ainda não tenho sítio, nem enclave,
Muito menos sabendo o dia e a hora,
Mas há-os a quem peço que desapareçam!...
Será uma nau um tanto especial,
Repleta de luz, amor e esperança,
Embora simples e pelo mais modesto,
Em nada de riquezas e rancores,
Tendo uma desconhecida rota celestial,
Mas que seja espaço de mudança,
Onde o porteiro seja alguém honesto,
Puro, humilde e distribuindo flores...
No entanto, precisarei do vosso auxílio,
Pelo que essa construção não será fácil,
Requerendo uma infinita mão de obra,
Assim como mentes que tal possam ajudar...
E acreditem que ninguém irá para o exílio,
Tampouco por traços a qual forma dócil,
Havendo compreensão e verdade de sobra,
Bastando, meramente, colher e oferendar!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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SEJA AQUILO QUE FAÇAS...
Quem és, no que fazes,
Por onde anda a tua mão,
Que fazem os teus dedos,
Nesse corpo estouvado,
Em movimentos audazes,
Já perdido da razão,
Esquecido de quais medos,
Todo ele demais ousado?...
Procurado e corpo esse,
Entrelaçado num outro
E tudo sabendo a pouco,
Com tudo o que acontece,
Em nada que se confesse,
Nem havendo que seja neutro,
Num momento mais louco
E chama que não arrefece?...
Seja naquilo que faças
E tanto mais que queiras,
Não resistes à tentação,
Nem tens receio da audácia,
Pois as horas são escassas,
Tampouco olhas a maneiras,
Falando-te o coração,
Em cura da melhor farmácia!...
O que és e faças, não importa,
O que interessa é o momento,
Sem olhar ao preconceito,
Em tudo estampado no rosto,
Seguindo a vida que bate à porta
E dando asas ao sentimento,
Abrindo a alma do peito,
Trancando qual tabu imposto!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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MALVADOS...
Não me deixam descansar, os malvados,
Vêm com o raiar do Sol, pela madrugada,
Fazendo barulho e por nada se calam,
Andam num frenesim, a manhã inteira,
Contentes, nessa sua própria maneira,
Acordando uns, no que outros embalam,
Nalguma bela sinfonia e tão prendada,
Em cada vez maior silêncio, de saciados...
Mas saltitam, por cada ramo e terreno,
Esgravatam tudo e procurando viver,
Aqui debicam, enquanto além defecam,
Ainda cantarolando e parecendo bailar,
Fazendo-me esquecer a vida de veneno,
Refrescando-me as instâncias do saber,
Omitir seres, que por este mundo pecam
E pouco entendem todo este cantarolar!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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NÃO SOMOS NADA!...
Não interessa o que temos,
Interessando o que somos,
Sendo ricos no que demos,
Não na avareza mordomos...
Somos ilusão e feita vento,
Num curto espaço desfeita,
Segurando-nos ao advento,
Em bafagem de Parca eleita...
Somos desilusão na ilusão
E de quanto pensamos ser,
Adulterando uma tal visão...
Porém, sendo mentes ocas,
À vida que não ousamos ver,
Vidas e tais de horas poucas!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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DIZ-ME QUEM ÉS TU...
Diz-me quem és tu, temente ou não a um deus
E se perdido às orações, mas servindo de juiz,
O inquisidor, sempre com um dedo apontado,
A quantos e tal não sejam de tanto semelhante,
Apregoando a tolerância, pela tua intolerância
E atropelando pensamentos que não esses teus,
Cego no que afirmas e surdo ao que outro diz,
Na busca de enforcar um qualquer desgraçado,
Vendendo mandamentos e nessa fé arrogante,
Dobrado ao altar divino e na tua conveniência?...
Rezas, dizes-te santo, mas podre da sociedade,
Escavas no privado, onde o Diabo não procura,
Mas sentes gozo, comer-lhes a carne e os ossos,
Sem olhares ao teu redor, àquilo que pertences,
No seio da família, por toda uma lista de amigos,
Ao que o mundo é traiçoeiro e oculta a verdade,
Toda essa disfarçada, um tanto demasiado dura...
Por conseguinte, diz-me se não sentes remorsos,
Pondo achas ao lume e sair do fogo que mereces,
Sacudindo as faúlhas, em fuga de lumes antigos?...
Manuel Nunes Francisco ©®
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A PERFEITA NATUREZA...
Não há filme, teatro, mais belo que a natureza,
Por mais perfeito o palco e tamanha encenação!...
Não há escrita, poesia, descrevendo tal beleza,
Sendo o verde e animais, rios, a mais bela visão!...
As rochas, as florestas e tantas areias ancestrais,
O mar, a sua espuma e ondas, nalgum vai e vem,
As gaivotas, os pobres corvos, o piar dos pardais,
O Sol, o vento, a chuva, seja o que o mundo tem!...
As nuvens, sejam negras, ou claras e por tão belo,
Num admirar pôr-do-sol, com a euforia das águas,
Deslizando sobre a praia, quebrando quanto gelo...
As mágoas de solidão, talvez que uns desamores,
Elevando-nos ao alto, fazendo com a vida tréguas
E pelo qual a natureza será dos mais altos valores!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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META DO DESCONHECIDO
Haja quem conheça qualquer caminho, senão no seu terminal,
Sendo a incógnita do início todo o prazer absoluto num final
E somente aí se ouvirá o grito da vitória explosiva da resposta...
Razão tinha o poeta, pois "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce"!
... O mundo, nesta tão efémera passagem, é simplesmente dos loucos!...
Eu, neste tão tresloucado que sou, serei mais um louco desmedido,
Tentando, pelas mais desbravadas veredas, a mais sublime aposta,
Nalgum controlo do desconhecido, sempre que a adrenalina cresce
E naquilo, na maior parte da existência, que tanto nos é escondido...
Assim, prefiro a conta abastada da vida, a quantos singelos trocos!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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ESCALADAS DE UMA VIDA
Escalo todo o meu muro da existência,
Sem arnês, nem ferros, só com a alma,
Fazendo uso da tanta minha resiliência,
Assim trepando e por tal maior calma...
Sirvo-me das pedras e do que houver,
Enfiando as mãos por imprecisos buracos,
Obstáculos da vida e cujos nos fazem ver,
Todas as alturas e precipício dos fracos...
Arrasto-me, no quanto me for possível,
Sem olhar qualquer métrica das alturas,
Olhando o alto e no que mais concebível...
Para trás ficarão lágrimas e pernas doridas,
Uns arranhões feitos por pedras tão duras,
Mérito da sobrevivência e honras conseguidas!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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TÚLIPA NEGRA
Túlipa negra, que me encantas,
Nessa linda e negra cor que és
E se negro houver, a horas tantas,
Tal sequer te chegará aos pés!...
Todo esse teu tom e tal beleza,
Se espelha no cetim do teu haver,
O mais perfeito, em tal certeza,
Cujos meus olhos não poderão ver!...
Mas pretendo receber por derradeiro
E num mais negro que for possível,
Com chuva de tantas, o dia inteiro!...
Ao que sejas semeada em exemplos,
Alimentada na minha cinza disponível
E merecida rega em prantos amplos!...
Manuel Nunes Francisco ©®
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