Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017

ALGUMA INFÂNCIA

 

 

Infância #2.jpg

ALGUMA INFÂNCIA

 

Recordo toda a minha infância,
Esses imensos sonhos de criança
E, por tão menino, na inocência
De alguma inquieta esperança...

 

Recordo essas enormes viagens
Por tantos caminhos poeirentos
E que, de tão verdes paisagens,
Eram cor de meus pensamentos.

 

Ah, como recordo essa serrania,
Toda a imensidão à minha volta,
As trapalhadas em que me metia
Pelos campos e em corrida solta!

 

Uma vez por outra, meus pais e eu
De fatinho mais rico e engomado,
Saíamos de farnel, cada qual o seu
E como se ao outro lado do mundo.

 

Outras eram as vezes que o velhote,
Na altura ainda um jovem de vigor,
Me levava aqui ou ali, nalguma sorte
E à descoberta de um outro sabor...

 

... Recordo o assento da pasteleira,
Veloz transporte, para mim único
E em que me sentava na traseira,
... Puto, tanto ou quanto púdico.

 

Seguíamos, os dois, na direcção à vila,
Ele pedalando, numa imagem de titã,
Eu, todo emproado, no maior reguila,
Perguntando quando iríamos à Sertã...

 

De vez em quando, lá íamos à ladeira,
Ou até mesmo pelo matagal adentro,
Que, para mim, era a maior aventura,
Senão mesmo o assalto de um castro...

 

Por esses caminhos, na sua harmónica
Que ia tocando, no encobrir a distância,
Lá fazia jus à sua obra, vasta melódica
De quanto seu, ou que de outros sabia.

 

Recordo algumas das inúmeras palavras
Que ia mencionando, ou mesmo dirigia...
Modestas, mas ricas, umas atrás de outras,
... Nalgum reviver do passado e nostalgia.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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publicado por francisfoto às 12:12
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