Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017

EXCERTOS DE UM FILME

 

Excertos de um filme.jpg

EXCERTOS DE UM FILME

 

Um dia, vi um filme que me marcou a vida... Era uma descrição de vida real, em que, num ponto qualquer do interior de uma nação, uma criança de 6, ou 7 anos, via um homem a correr atrás de uma mulher, sua companheira, com um pau no ar, tamanho médio, descarregando sobre a mesma, à cabeça e enquanto fugia, meio descalça, ao mesmo tempo que trabalhadores de obras existentes se riam, como se algo existisse de cómico, ou normal, deixando marcas de sangue que iam pingando no cimento, ainda não seco, numa entrada da casa em construção. Chocou-me a presença da criança, assistindo a tamanha crueldade e marcou-me para o resto da vida, porque não consegui esquecer. Isto passava-se num local remoto, na província, antes de se resolverem a ir para a cidade. Seguindo o argumento, montaram-se negócios, enganou-se amigos e principalmente a família, como se tudo fossem rosas e o referido bom coração, homem e esposo, fosse o deus, iludindo tudo e todos, em que o viam como a melhor criatura ao cimo da Terra, ao que ele fazia por tal, tendo conseguido dinheiro que bastasse e uma harmonia familiar fictícia... mas, para a sua família sanguínea, era o senhor e o ideal, pois que desconheciam e nem queriam conhecer a realidade, triste, mas e como aparecia no filme, era a perfeição. A criança, então adulta, emigrou, sendo que regressou e sabendo que na sua ausência a mãe nunca passou, um tanto ou quanto, de uma mártire de trabalho e com poucos , ou nenhuns direitos de felicidade... e a quem a morte buscou primeiro, em sofrimento e sem nunca saber o sentido do prazer da vida, no geral e essencial; ele suicidou-se um mês depois, provavelmente não aguentando os remorsos, pois que era o que dava a entender nos tempos que se seguiram. A família, do qual corria sangue nas veias, achou estranho a forma como foi desenvolvida a cerimónia fúnebre e condenou o descendente, filho, não autorizar missa presente na capela e só no cemitério, decisão tomada à última da hora e sem qualquer sentido, tal como reza a passagem bíblica... Enfim, paz à sua alma. Algo que não entendo, foi a razão pela qual todos os familiares, ou quase, ficaram ofendidos, ao que se designaram protectores da razão não existente e a que nada lhes dizia respeito. Ainda, hoje, penso e vivo tudo o que essa criança observou, nessa tenra idade; mas isso mais ninguém viu, ou alguma vez quis ver, mas condenaram a criança... Essa criança, era eu... e lágrimas não valem de nada, tanto que outros episódios se seguiram e a saga continua pelos mais diversos espaços escondidos deste país, chamado Portugal!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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publicado por francisfoto às 21:53
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