Domingo, 10 de Dezembro de 2017

GAIVOTAS

 

Gaivotas.jpg

GAIVOTAS

 

Observo-te, gaivota, nesse teu planar,
Firme, suave, confiante e sobre o mar,
Olhando à tua volta, cheia de ternura,
Num voo frágil, nessa orla de frescura...
Nesse deslizar sobre as vagas oceânicas,
És a liberdade à consciência do homem
E ao demais que à sua volta é inóspito,
Numa irrecusável viagem ao imaginário,
De sentidos inexistentes no vocabulário,
Nas tuas idílicas e contorções platónicas,
Transbordando de lírico e tanto saber...
Ao olhar de quem te tem mais cegueira,
Na sua mais adulterada forma superior,
Ou quem escalou o pódio da ignorância
E beijada medalha, em etiqueta brejeira,
Malogro de qual e inconfidente inocência,
Esquecendo tudo, num magistral clamor,
Perdendo-se no fundamento do seu ser,
Buscas, delicada, terna, volátil, ao discreto
E tão matreira, a razão de qualquer futuro
No que te baseias, vago aos que dormem,
Não percebendo o vigor de outro destino,
Parados no tempo e à sorte de tal agouro,
Em que tuas viagens são obra de paladino,
Desenhando os céus, no mais latente rastro.
Sinto o suave bater dessas tuas serenas asas,
Sacudidas à ânsia de paragens mais remotas,
Sem o sopro da menor brisa a meu encontro
E, assim, me fico, neste humano confronto,
Imperdoável e injustificado sentimento,
Que nem tão-pouco faz parte de lazer,
Quanto mais parte de qualquer prazer...
Tu e porventura, ignorante ave dos oceanos,
Tu, vagueias pelos diversos espaços frondosos,
Enquanto eu, na mais nomeada inteligência,
Prendo-me a este meu confinado espaço
E, na maior ignorância, o agarro num abraço,
Como se nada mais houvesse além horizontes,
Diferente raiar, outro luar, para lá dos montes,
Nalguma estúpida prisão da humana sapiência.
Voa!... tu, que és insignificante aos nossos olhos,
Mas que nos és mestra nas descobertas da vida
E na primazia do culto da mais pura verdade,
Sendo que neste Universo somos a despedida,
Em que tudo seremos, no melhor, ao partirmos...
Voa!... Voa e sonha, nessa majestosa vontade,
Fazendo-me inveja do que em ti me liberta,
Pois que nada mais consigo, nesta parte incerta,
Da qual queria partir, levando algo demais comigo,
Esperanças, forças, a saudade do melhor amigo,
Ou tanto mais que não confesso, no maior segredo
Em que esta vida se tornou, num tanto degredo,
Mas sem qualquer pena, tamanho é o meu sentir...
Voa!... Voa, gaivota, leva-me contigo, nesse partir,
Dá-me asas, ensina-me, nesse teu saber, a voar...
Liberta-me destes sonhos... Ensina-me a sonhar!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )

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publicado por francisfoto às 21:06
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